sábado, 24 de novembro de 2012


POR QUE OS APRENDIZES SE SENTAM NO NORTE?

Com exceção do Rito Brasileiro, que inverteu as posições do REAA, os Aprendizes se sentam na Coluna do Norte em todos os demais Ritos. Nos ritos de origem francesa (Escocês, Moderno e Adonhiramita), eles se sentam na última fila do Norte, enquanto que nos ritos de origem que podemos chamar de “anglo-saxônica” (Shroeder, York e rituais do Reino Unido como o de Emulação), eles se sentam na primeira fila do Norte.
Qual é o motivo para os Aprendizes se sentarem no Norte? Essa é uma pergunta muito comum em Loja e que costuma receber as mais variadas respostas, algumas totalmente sem nexo:
“Porque a pedra bruta está no lado ocidental do norte, e o Aprendiz é uma pedra bruta”.
“Porque o Aprendiz precisa ficar na Coluna da Força para ganhar força para o trabalho”.
“Porque o Aprendiz tem que ficar perto do Primeiro Vigilante, que o instrui”.
“Porque o Aprendiz tem que ficar de frente para o Segundo Vigilante, que é quem deve instruí-lo”.
Essas afirmações chamam a atenção para um outro ponto:
De onde tiraram que os Vigilantes são os responsáveis por instruir os Aprendizes e Companheiros? Existe alguma fala na Abertura e Encerramento dos trabalhos em que os Vigilantes assumem essa responsabilidade? As instruções obrigatórias desses graus, que constam nos Rituais, são feitas pelos Vigilantes?
Respostas: Não. Apenas em algumas das cerimônias inventadas de posse e nos Estatutos modernos das Obediências é que os Vigilantes “ganharam” essa responsabilidade. As instruções para Aprendizes e Companheiros não são presididas pelos Vigilantes. Elas são presididas pelo Venerável Mestre e apenas contam com a participação dos Vigilantes, assim como contam com outros Oficiais da Loja.
Você pode estar se perguntando agora: Então, por que diabos os Vigilantes são considerados responsáveis pela instrução de Aprendizes e Companheiros?
Simplesmente criou-se esse “hábito” por conta da equivocada interpretação de que os Vigilantes “governam” as colunas onde os Aprendizes e Companheiros estão sentados, então deveriam ser responsáveis por eles.
Os Vigilantes não são ritualisticamente os responsáveis pela formação dos Aprendizes e Companheiros, independente de ser o 1º Vigilante para os Aprendizes e o 2º Vigilante para os Companheiros, ou vice-versa. Na verdade, os Oficiais da Loja são responsáveis por instruir Aprendizes e Companheiros conforme as instruções do Ritual, e sob comando do Venerável Mestre. É dever ritualístico do Venerável Mestre, que é o Mestre da Loja, definir se eles estão preparados para subir mais um degrau. Isso não deveria ser responsabilidade dos Vigilantes, apesar de se terem criado esse costume e legislado em favor disso. As dúvidas que um Aprendiz ou Companheiro por ventura possam ter deveriam ser sanadas pelo seu padrinho, o Mestre Maçom responsável pelo seu ingresso na Loja. É para isso que servem padrinhos, para garantir a formação de seus afilhados!
Enfim, com base nessas observações, verifica-se que as respostas dadas sobre o Aprendiz no Norte que são relacionadas à instrução dos Vigilantes não correspondem com a verdade.
Quanto à reposta de que o Aprendiz fica na Coluna da Força para ganhar força para o trabalho, isso é uma ofensa para a inteligência de cada maçom. Substituiremos o maço e o cinzel por alteres, se assim for! O efeito será melhor para tal simbologia!
Já a afirmação de estar relacionado com a posição da pedra bruta em Loja também é ilógica. Afinal de contas, em alguns ritos a pedra bruta não fica na Coluna do Norte, enquanto que Aprendizes permanecem lá! Então, qual é o motivo?
É simples. A Loja possui 03 Luzes que a governam: Venerável Mestre, Primeiro Vigilante e Segundo Vigilante. Essas 03 Luzes ficam localizadas em 03 lados do templo: Oriente (VM), Ocidente (1º Vig) e Sul (2º Vig). Ora, o templo possui 04 lados, então um não possui Luz: o Norte! Por esse motivo, a Coluna do Norte é considerada o “lado escuro do templo”.
O Aprendiz até pouco tempo atrás era um candidato na escuridão, desejoso de receber a Luz. Seu lugar é no lado mais escuro do templo onde, simbolicamente, sua visão poderá se acostumar com a Luz que lhe é dada aos poucos. O Aprendiz está no hemisfério norte, enquanto o Sol está fazendo seu giro do Oriente para o Ocidente inclinado ao Sul, o que indica que o Aprendiz está no inverno do hemisfério norte, quando as noites são maiores que os dias, ou seja, a escuridão ainda prevalece sobre a luz do dia.
Isso está muito bem registrado nas instruções dos rituais mais antigos, mas se perdeu na evolução de muitos ritos e na constante “revisão” que quase todos sofrem constantemente.

escrito pelo ir. kenio ismail do blog no esquadro.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Momentos Culturais do Irmão  RIPOLL
Boa leitura.


O CAIPIRA E O SERTANEJO



Grão Mestre Barbosa Nunes do Estado de Goiás publicado no Jornal Diário da Manhã dia 10 de novembro de 2012.




Nascendo na zona rural do município de Itauçu, em Goiás, filho e neto de casais paulistas da zona de Ituverava e Miguelópolis, carrego comigo a influência deste meio, que formou a minha personalidade e me encaminhou para a vida, fortalecida pela minha goianidade. Desejo abordar neste artigo, com pesquisas junto à Revista da UFG – “Tema Brasil Rural” e Universidade Federal de São João Del Rei, trabalho de Enói Miranda Barbosa Mendes, o significado não só do vocábulo, mas do sentimento do “caipira” e do “sertanejo”.
“Caipira” é uma denominação, tipicamente, paulista, nascida da miscigenação do branco com o índio. A partir da língua tupi, tem várias explicações etimológicas.“ka’apir” ou “kaa-pira”, que significa “cortador de mato”, “ka’a pora”, “habitante do mato”, a partir da junção “caa” (mato) e “pora” (gente), significando o que vive afastado.
As referências iniciais são relativas a aldeias na Vila de São Paulo, desdobrando-se em núcleos dessa cultura no Alto Paraíba, Baixa Mogiana, Piracicaba, Campinas, Sorocaba e outros, com influência da cultura do café e transmissão fortemente acolhida em Minas Gerais e Goiás, através das incursões dos bandeirantes paulistas.
“Sertanejo” é vocábulo que se refere ao habitante do sertão, região agreste, distante das povoações ou terras cultivadas. Terreno coberto de mato, pouco povoado, no interior do país, local onde perduram tradições e costumes antigos.
”Caipira” e “sertanejo”, tem quase o mesmo significado, ambos homens rurais, possuindo semelhanças e algumas diferenças. O sertanejo é tido como um homem forte, pois o sertão o molda para uma luta constante, diária, precisando resistir às dificuldades.
O caipira é mais indolente, sintetizado na figura do “Jeca Tatu”, de Monteiro Lobato, que lhe deu sentido pejorativo. Atualmente, a designação cresceu de conceito, sendo até “chique”, especialmente no interior paulista, afirmar-se “caipira” como demonstração de bairrismo paulista e orgulho.
“Riobaldo”, personagem de “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, lembra, no que matuta, o pensar do caipira. Esse personagem conta sua história a um viajante, e levanta, a todo momento na narrativa, questões sobre o homem, o mundo e a vida, narrando que o personagem ruralista carrega um baú de guardados preciosos, como se estivesse ali a sua alma e a de muitos, porque, à medida que o homem rural escuta e vivência os casos, ele reconta e observa lições, manhas, trejeitos, acrescentando conhecimentos a quem ouve e a quem lê.
O escritor goiano Bernardo Elis criou o personagem “Chico da Gama”, no conto “Noite de São Lourenço”, descrevendo o homem rural caipira: “Não, até que o cantador não é muito velho não, é homem assim de meia idade, mas  conservado, pele alva, usa uma barbona russa que quase mistura com as toeiras da viola, é homem muito sossegado e muito acomodado”. Traz histórias na capanga e tira da sua viola canções que muitos desejam ouvir. “Chico Gama” conserva na sua recordação toadas que gente velha de muito longe vem para ouvir”.
“Sertanejo” e “caipira” são hoje e significam a mesma coisa. Homem rural, sujeito sabido, embora com ar sossegado, paciente, vivido, outras vezes forte, lutador, que ora pode entoar os seus casos no embalo do fumo em seus dedos, com calma, respeito e mansidão. Também, como cultura na cidade, conduz carros de luxo, frequenta as rodas sociais, veste-se bem, maneja as máquinas sofisticadas no crescimento do agronegócio. Com origem sertaneja ou caipira, embala o progresso do país.
Música sertaneja ou caipira é gênero musical do Brasil produzido a partir de 1910, por compositores rurais e urbanos, cujo som da viola é predominante. No livro “Conversas ao pé do Fogo”, Cornélio Pires conta que conheceu a música caipira, no seu original, nas fazendas do interior do estado de São Paulo e em outro livro de sua autoria, “Sambas e Cateretês”, recolheu essas letras cantadas em solo interiorano paulista.
Em 1929, em sua primeira era, surgiu a música sertaneja como se conhece hoje, a partir de gravações do próprio jornalista e escritor Cornélio Pires, com fragmentos de cantos rurais do interior paulista, Triângulo Mineiro, sudeste goiano e matogrossense.
A segunda era da música sertaneja, teve início por volta de 1945, com letras mais amorosas, destacando-se desta época duos como Cascatinha e Inhana, Irmãs Galvão, Palmeira e Biá, Luizinho Limeira e Zezinha e o poeta, autor de mais de duas mil letras, cantor José Fortuna, também a dupla Milionário e José Rico, Pena Branca e Xavantinho, Tião Carreiro e Pardinho e outros.
Na terceira era, foi introduzida a guitarra elétrica por Léo Canhoto e Robertinho, marcando a fase moderna da música sertaneja, com Sérgio Reis, Renato Teixeira e seguindo-se à massificação comercial com Trio Parada Dura, Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Zezé de Camargo e Luciano, Christyan e Ralph, Nalva Aguiar, Roberta Miranda e outros, com sucessos nas paradas, “Fio de cabelo”, “Pense em mim”, “Entre tapas e beijos”. Atualmente, a era do “sertanejo universitário”, tornando alguns instrumentos mais eletrônicos e o ritmo acelerado, não apresentando grandes diferenças, porém, com rótulo comercial.
Concluo este artigo registrando a pesquisa do jornal “Folha de São Paulo”, que apontou as 10 músicas sertanejas ou caipiras mais clássicas de todos os tempos, chegando-se à seguinte classificação, a partir da décima classificada:

“Moda da Pinga”, gravada por Inezita Barroso em 1955, de Laureano; 

“Pagode em Brasília”, gravada por Tião Carreiro e Pardinho, em 1960, de Teddy Vieira e Lourival dos Santos; 

“Rio de Lágrimas” gravada por Inezita Barroso em 1972, de Lourival dos Santos, Tião Carreiro e Piraci; 

“Luar do Sertão”, por Pena Branca e Xavantinho, de Catulo da Paixão Cearense; 

“Mula Preta”, gravada em 1945 por Raul Torres e Florêncio, de Nestor da Viola; 

“Cabocla Tereza”, também por Raul Torres e Florêncio, de 1936, de Raul Torres e João Pacífico; 

“Chalana”, por Almir Sater, gravada em 1992, de Arlindo Pinto e Mario Zan; 

as três primeiras foram 

“Chico Mineiro”, por Tião Carreiro e Pardinho, de Tonico e Francisco Ribeiro; 

“Menino da Porteira”, por Sérgio Reis, de Teddy Vieira e Luizinho

e em primeiro lugar, 

"Tristeza do Jeca" gravada em 1926, pelo cantor Patrício Teixeira, tornando-se sucesso e um dos clássicos da música sertaneja brasileira nas vozes de Tonico e Tinoco, composição de Angelino de Oliveira.
Fiquei muito saudoso ouvindo todas estas belas e puras composições sertanejas ou caipiras.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

                  MEMBROS  DA  LOJA 

OBS:  Vamos atualizar o cadastro pessoal  - procurar os irmãos 
                                   Fabiano e Ripoll


01 - José Adalberto Silveira Soares

Trabalho: Revac Tecnologia
Fones: 3041.6595   - Celular: 9959.4567
Aniversário: 16 agosto
Cargo em Loja: Grão Mestre Adjunto - GOB-RS
CIM: 215.861
Vida Maçonica:
                           Iniciado: 09/04/92
                           Elevado: 03/09/92
                           Exaltado: 17/12/92
                           Instalado: 09/06/2003

02 -  César João Hoppe

Trabalho: Parcomed - Produtos para Diabéticos
Fones: 3373.5300  - 9898.2478
e-Mail: cjh@brturbo.com.br
Aniversário: 26/05
Cargo em Loja:  Venerável Mestre
CIM: 234.627
Vida Maçonica: 
                           Iniciado: 26/06/2005
                           Elevado: 21/06/2006
                           Exaltado: 23/11/2006
                           Instalado:



03 -  Ilson Dias de Andrade

Trabalho: Escritório e Contabilidade - Contador
Fones: 3345.3391    -  9987.2362
e-Mail: ilsona@uol.com.br
Aniversário: 16/12
Cargo em Loja:  1º  Vigilante
CIM: 215.934
Vida Maçonica:
                           Iniciado: 08/07/2002
                           Elevado: 15/09/2003
                           Exaltado: 12/07/2004
                           Instalado:

04 - Lairton Galaschi Ripoll

Trabalho:  Aposentado - Jornalista
Fones: 3332.0747   -  9156.9840
e-mail: lairtonripoll@gmail.com
Aniversário:  02/09
Cargo em Loja:  Mestre de Cerimonias Ad Oc
CIM: 156.477
Vida Maçonica:
                           Iniciado: 28/10/1988 GOB-Brasília -  DF
                           Elevado: 06/05/1989 - Brasília - DF
                           Exaltado: 09/11/1989 - Brasília - DF
                           Instalado: 04/06/1999 - Porto Alegre - RS


05 - Alexandre Vinicius de Araujo Denega

Trabalho:  Instituto de Criminalistica do Est. RGS - 
Fones: 3219.7376    -   8445.4347
e-mail: adenega@gmail.com
Aniversário: 22/10
Cargo em Loja:  2 Vigilante
CIM: 243.872
Vida Maçonica:
                           Iniciado: 03/09/2007
                           Elevado: 29/09/2008
                           Exaltado: 13/04/2009
                           Instalado:




06 - José Luis Nasi Lupi

Trabalho: Entel Engenharia Ltda.
Fones: 3018.1055     Celular: 9259.1450
e-mail: lupi@entelengenharia.com.br
Aniversário:  18/12
Cargo em Loja: Tesoureiro
CIM: 234.628
Vida Maçonica:
                           Iniciado: 08/08/2005
                           Elevado: 29/10/2007
                           Exaltado: 23/06/2008
                           Instalado:


07 - Elton Erhardt

Trabalho: Médico - Endócrino
Fones:  3333.4025     - Celular: 9275.6638
e-mail: eerhardt@terra.com.br
Aniversário: 28/03
Cargo em Loja: Hospitaleiro
CIM: 114.593
Vida Maçonica:
                           Iniciado: 07/10/1978
                           Elevado: 01/02/1982
                           Exaltado: 23/08/1982
                           Instalado:


08 - Nelson da Silva Júnior

Trabalho: Brigada Militar 
Fones: 3533.3938  -  Celular: 9976.0717
e-mail: nelsonjrsilva@gmail.com
Aniversário: 08/11
Cargo em Loja: Orador
CIM: 251.490
Vida Maçonica:
                           Iniciado: 09/06/2008
                           Elevado: 06/04/2009
                           Exaltado: 19/10/2009
                           Instalado:

09 - Jeremias Elmo Fogaça Rohde

Trabalho: Díveo do Brasil Telecomunicações
Fones: 3218.3308   - Celular:  7811.7683
e-mail: jrohde@diveo.net.br
Aniversário: 24/02
Cargo em Loja:  
CIM: 251.343
Vida Maçonica:
                           Iniciado:
                           Elevado:
                           Exaltado:
                           Instalado:


10 - Sérgio Fagundes Bitencourt

Trabalho:
Fones:  Celular: 8463.6140
e-mail:
Aniversário:
Cargo em Loja: Mestre de Cerimonias
CIM:
Vida Maçonica:
                           Iniciado: 26/03/1999
                           Elevado: 16/06/2000
                           Exaltado: 23/03/2001
                           Instalado:


11 - Valter Maria da Silva

Trabalho: Militar 
Fones: Celular: 9313.2245
e-mail: projasbr@gmail.com
Aniversário: 12/03
Cargo em Loja: Secretário
CIM:
Vida Maçonica:
                           Iniciado: 26/10/2009
                           Elevado:
                           Exaltado:
                           Instalado:



12 - Décio de Moura Mallmith

Trabalho: Dep. de Criminalistica  - IGP
Fones: 3223.6677  - Celular: 8449.12
e-mail: mallmith@hotmail.com
Aniversário: 28/03
Cargo em Loja:
CIM:
Vida Maçonica:
                           Iniciado: 
                           Elevado:
                           Exaltado:
                           Instalado:

13 - Rodrigo Dreher

Trabalho: Clínica MAEL - Médico -  Cirurgião Plástico
Fones: 3395.5716     - Celular: 9246.6655
e-mail: rodrigo_dreher@yahoo.com.br
Aniversário:  13/09
Cargo em Loja: Chanceler
CIM:
Vida Maçonica:
                           Iniciado:
                           Elevado:
                           Exaltado:
                           Instalado:










Atenção pessoal da Sepé...

Dia 23 de novembro teremos uma Exaltação na Loja Luz do Oriente. Todos os Mestres presentes....ok ?

Vamos ajudá-los.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

PERPECPÇÕES DO RITUAL DE INICIAÇÃO


AUGUSTA E RESPEITÁVEL LOJA MAÇÔNICA
SIMBÓLICA SEPÉ TIARAJÚ, N° 1774
GOB/RS – ORIENTE DE PORTO ALEGRE

PERPECPÇÕES DO RITUAL DE INICIAÇÃO

 1° TRABALHO NO GRAU DE APRENDIZ MAÇOM
 1. Introdução

Este trabalho tem o objetivo de externar aos Irmãos da A.’.R.’.L.’.S.’. SEPE TIARAJU, Nr 1774 – GOB/RS - ORIENTE DE PORTO ALEGRE, as percepções durante iniciação simbólica deste obreiro nos quadros da Maçonaria, servindo seu conteúdo de excelente base para a agregação dos conhecimentos necessários ao futuro do Aprendiz Maçom na Ordem.
A narrativa inicialmente é feita sob a ótica do profano que, como Candidato, assina seu pedido de iniciação, sendo sindicado e logo depois escrutinado. Após ter seu pedido tomado em consideração pela loja, o profano passa a chamar-se Postulante, denominação que perdura até seu recolhimento à Câmara das Reflexões. Ao passar pelas provas do 1° Grau, o postulante é chamado de Recipiendário  ou Aspirante. Terminadas as provas do 1° Grau, ele é proclamado, sendo reconhecido como Neófito, fase que estende-se até o final do discurso do Ir... Orador, momento em que completa sua 1ª instrução, recebendo finalmente o designativo de Aprendiz Maçom.

2. Desenvolvimento


-         O Candidato:
Após ter reconhecido meu perfil como apropriado ao candidato, fui convidado para ser iniciado na maçonaria. Já como Candidato, preenchi a ficha cadastral e providenciei os documentos exigidos. Difícil foi segurar ansiedade, sempre que encontrava o “padrinho” questionava sobre o andamento do pedido, até que recebi a tão esperada notícia. Minha solicitação havia sido aprovada e a data da Iniciação Simbólica foi marcada para o dia 09 de junho de 2008.
- O Postulante:
Neste momento, deixei de ser Candidato, passando a condição de Postulante. Foram mais de 30 dias de pura emoção, parece que os dias tinham mais de 24 horas, de tanto que demoravam a passar.
-         O Recipiendário:
Chegado o “grande dia”, foi também o marco da primeira desobediência as orientações do meu “padrinho”, pois este havia orientado que passasse o período da tarde em repouso, preparando-me para os acontecimentos da noite, porém, minhas atividades profanas não permitiram seguir o aconselhamento.
Ao chegar à Loja, já na entrada do prédio, tive meus olhos vendados, sendo em seguida conduzido para outro ambiente, onde uma pessoa que se apresentou como “Irmão Experto”, retirou meu calçado do pé direito, bem como levantou a perna da minha calça do mesmo lado, ate a altura do joelho. Também meu braço e meu peito, no lado esquerdo, ficaram despidos. Fui levado então por um corredor estreito onde havia uma escada com trajetória descendente, chegando a uma sala, sentei em um banco, e tive meus olhos descobertos. Permaneci por um longo período, observando as inscrições, os objetos e o aspecto do ambiente que lembra uma masmorra, momento bem propício às reflexões. Preenchi um testamento, que na verdade simbolizou o fim da vida profana e o início de uma nova vida, norteada pelos Augustos ensinamentos da Maçonaria. Novamente conduzido pelas mãos do Irmão Experto, retornei para o local onde antes estivera. Enquanto aguardava, ouvia a movimentação de pessoas que por ali circulavam, o que só aumentava a expectativa. Daquele local fui levado por outro corredor, em seguida paramos, e o Irmão Experto bateu à porta que estava a nossa frente. Após conversas entre o Irmão experto e alguém que estava do outro lado da porta, tivemos permissão para adentrar no recinto. Tive a percepção que o ambiente tinha o formato redondo, e as pessoas ficavam em camarotes, em um plano mais elevado em relação ao que estávamos. Além disso, ouvia outras três pessoas falarem e baterem marteletes sobre madeira, uma mais próxima de nós, situava-se no nosso lado esquerdo, a outra um pouco mais distante e à direita, e o terceiro, mais distante, situava-se à nossa frente e em um plano mais elevado, este último parecia conduzir os trabalhos.
Começaram-se as provas, na verdade a primeira prova já havia ocorrido quando da minha estada na Câmara de Reflexões, que corresponde a Terra. Confesso que foram momentos de felicidade associado a tensão, por desconhecer o que viria logo adiante, porém a vontade  de me tornar um obreiro do quadro da Maçonaria prevaleceu, e isto fez com que enfrentasse os desafios, bem como respondesse aos questionamentos, absorvendo na íntegra todos os conhecimento que o Rito Iniciático propicia. Começando a primeira viagem, fui levado pelo Irmão Experto, do Ocidente ao Norte, do Norte ao Oriente, do Oriente ao Sul, e pelo Sul ao Ocidente, seguindo no sentido horário. Durante a viagem, ouviu ruídos que lembravam tempestades, chuva, granizo e trovoadas que cessaram quando retornei ao local de onde havia saído. A segunda viagem, que correspondia ao elemento água, foi um pouco mais tranqüila, veio então a terceira viagem, que referia o elemento “fogo”. 
-         O Neófito
Após concluir esta fase, purificado pelos quatro elementos, fui conduzido pelo mesmo ambiente, porém em um local mais elevado, exatos quatro degraus, onde prestei o juramento que me ligaria a Instituição.
Fui retirado daquele ambiente, com a ajuda do Irmão experto, recoloquei meus calçados e minha roupa. Ainda com os olhos vendados, fui reconduzido a sala que antes estava. Após conversas entre duas das três pessoas que usavam marteletes, foi permitido pelo último que me fosse dada a luz, então tive a venda retirada. A primeira visão foram das luzes ao fundo do templo e mascarados apontando espadas em minha direção, as quais foram baixadas em conformidade com a aprovação do meu ingresso na Maçonaria, em verdade este ato simbolizou a união dos Irmãos na defesa da Ordem.
Fui levado por um Irmão, o qual era chamado de Mestre de Cerimônias, para o altar dos juramentos onde fiquei de joelhos, e o Venerável, com uma espada colocada acima da minha cabeça, pronunciou algumas palavras e bateu, com o malhete, três vezes na lâmina da espada. A seguir recebi um avental e dois pares de luvas brancas. Recebi então o tríplice abraço do Venerável Mestre.
- O Aprendiz Maçom
Novamente levado pelas mãos do Mestre de Cerimônias, fui conduzido ao Ocidente, sendo proclamado Aprendiz Maçom. Dali, por determinação do Venerável Mestre, fui colocado na Coluna do Sul, local onde ficam os Aprendizes, e assinei o livro de presenças da Loja.
Por fim, após a realização destes atos, tive restituídos meus metais, dos quais havia sido despojado ao ser introduzido na Câmara de Reflexões.

3. Conclusão
Ao concluir a narrativa, agradeço ao nosso V.’.M.’., bem como aos IIrs.`. Primeiro e Segundo Vigilantes, o primeiro pela escolha do tema do trabalho, o que propiciou um “feed-back” das atividades desenvolvidas durante o Cerimonial de Iniciação e o segundo pelo apoio e ensinamentos repassados. Em especial deixo registrada a minha gratidão ao Ir.’. Ripoll pelo convite para ingressar na Ordem, oportunizando meu aperfeiçoamento como pessoa, e a todos os Amados IIr.`. da Loja Sepé Tiarajú, pela ajuda e camaradagem dispensados a este recém iniciado.

Porto Alegre, 15 de setembro de 2008.

NELSON JUNIOR DA SILVA
A.`.M.`.

VIRTUDES MAÇÔNICAS




Ven:.M:., Ir:. 1o.Vig:., Ir:. 2o.Vig:., Meus Queridos IIr 

A Maçonaria vem provavelmente do francês “Maçonnerie”, que significa uma construção, feita por um pedreiro, o “maçon”. A Maçonaria terá assim, como objetivo essencial, a construção. A Maçonaria promove a transformação do ser humano e das sociedades em que vive, através da fraternidade, solidariedade e da justiça.
Para ser iniciado deve ter profissão honesta que assegure meios de subsistência, ser ético, ter condições morais e intelectuais, e instrução necessária para compreender os objetivos da Ordem Maçônica. A Maçonaria honra igualmente o trabalho manual e o trabalho intelectual, e crê na existência do G:.A:.D:.U:.. O Maçom deve ser escolhido para ser Iniciado, pelas razões acima descritas, e não por motivos profissionais, familiares ou de amizade, e sim por ser o profano reconhecido Maçom em sua essência, encontrando nele virtudes maçônicas.
Mas o que o busca Maçom? Ele busca o aperfeiçoamento intelectual, o afinamento das faculdades de pensar e de enriquecimento dos conhecimentos adquiridos, para que tenham o domínio do saber necessário, para se comportarem de forma digna em todos os momentos, sejam eles profanos ou maçônicos, pois é mais fácil sucumbir ao vício, que aprimorar a virtude.
A tolerância é das virtudes maçônicas, á mais enfatizada, pois, significa a tendência de admitir modos de pensar, ser, agir e sentir que diferem as pessoas, e nos fazem indivíduos (únicos). Muitas vezes confundimos tolerância com conivência.
A tolerância é a habilidade de conviver, com respeito e liberdade, com valores, conceitos e situações. Conivência é a convivência em que, mesmo não concordando com certos valores, conceitos e situações, deixamos de expressar nosso parecer desfavorável, não refutamos, e não reprovando, estamos tacitamente autorizando, aceitando e gerando cumplicidade. Deus é tolerante com o pecador, mas não com o pecado.
Outra virtude é a Ética, que por definição é um conjunto de princípios e valores que guiam e orientam as relações humanas. É uma espécie de cimento na construção da sociedade. O forte sentimento de fraternidade designa o parentesco de irmão; do amor ao próximo; da harmonia; da boa amizade e da união, de tal forma a prevalecer à harmonia e reinar a paz.
A justiça é a virtude de dar a cada um aquilo que é seu, julgar segundo o direito e a melhor consciência. Para que se possa evitar o despotismo, o arbítrio e manter a liberdade e o direito.
A Maçonaria é uma sociedade que luta pelo Direito, pela liberdade e pela justiça, por isto todo Maçom deve ser um defensor incansável destes valores.
Estamos vivendo uma época em que há uma falta aguda, de um valor fundamental em todo o mundo: A caridade. Ela é o amor que move a vontade à busca afetiva do bem de outro. Ninguém precisa de nada a não ser seu coração para saber o que machuca os outros. Jamais subestime o sofrimento alheio. Seu julgamento poderá lhe falhar, seu conhecimento, sua experiência e sua inteligência poderão ser inúteis diante do mal, que torcerá fatos, palavras e aparências. Até o branco pode parecer preto e o preto parecer branco, decida com caridade e toda essa farsa se dissipará sob o brilho de uma alma integra.
A liderança também uma grande virtude maçônica, é a capacidade de influenciar positivamente as pessoas para que elas atinjam resultados que atendam as necessidades tanto individuais como coletivas e ainda, se responsabilizar pelo desenvolvimento de outros líderes. O líder tem que ser íntegro, confiável, ético, honesto e coerente. Ele deve evitar se acomodar, competir, comprometer e sempre colaborar. Ele é descrito como alguém que tem carisma e qualidades relacionadas para gerar aspirações e mudar pessoas, levando-os a despertarem seus potenciais e perseguir propósitos compartilhados.
A Maçonaria é uma instituição fundamentalmente ética, onde a reflexão filosófica sobre a moralidade, regras, códigos morais que orientam a conduta humana; que tem por objetivo a elaboração de um sistema de valores e o estabelecimento de princípios normativos da conduta humana, impondo ao Maçom um comportamento ético e, exigindo-lhe que mantenha sempre uma postura compatível com um homem de bem.
Pelo acima exposto aprendemos que o Maçom quer conhecimento, evolução, fraternidade, justiça e liberdade. A elevação de Grau é uma simples conseqüência desta incessante busca pelo aperfeiçoamento da pedra bruta e não o objetivo. Estas são apenas algumas virtudes maçônicas a serem lapidadas.
O egoísmo é a fonte de todos os vícios, assim como a fraternidade é a fonte de todas as virtudes, destruir um e desenvolver o outro, esse deve ser o objetivo de todos os Maçons. Sem ação nada pode ser feito. 

Quem é bom, é livre, ainda que seja escravo. Quem é mau, é escravo, ainda que livre”
Santo Agostinho. 

domingo, 28 de outubro de 2012

Balaústre nº 67

Balaústre nº 67

Aos 18 dias do mês de setembro de 1835 E.’. V.’. e 5835 V.’. L.’., reunidos em sua sede, sito à Rua da Igreja, nº 67, em lugar Claríssimo, Forte e Terrível aos tiranos, situado abaixo da abóbada celeste do Zenith, aos 30º sul e 5º de latitude da América Brasileira, ao Vale de Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande, dependências do Gabinete de Leituras, onde, neste momento, funciona a Loj.’. Maç .’. Philantropia e Liberdade, com o fim de, especificamente, traçarem as metas finais para o início do movimento revolucionário, com que seus integrantes pretendem resgatar os brios, os direitos e a dignidade do povo Riograndense, se reuniram IIr.’. da LOJA. 
 A sessão foi aberta pelo Ven .’. Mestre, Ir.’. Bento Gonçalves da Silva. Registre-se, a bem da verdade, ainda as presenças de nossos IIr.’. José Mariano de Mattos, nosso ex - Ven .’. , Ir.’. José Gomes de Vasconcellos Jardim, Ir.’. Pedro Boticário, Ir.’. Vicente da Fontoura, Ir.’. Paulino da Fontoura, Ir.’. Antônio de Souza Neto e deste Ir.’. Domingos José de Almeida, que serviu como Secretário, lavrando o presente Balaústre.
Logo de início, o Ven .’. Mestre, depois de tecer breves considerações sobre os motivos da presente reunião, de caráter extraordinário, informou que o nosso movimento revolucionário estava prestes a ser desencadeado. A data escolhida, é dia vinte de setembro do corrente, isto é, depois de amanhã. Nesta data, todos nós, em nome do nosso Rio Grande do Sul, nos levantaremos em luta contra o imperialismo que reina no País. Na ocasião, ficou acertada a tomada da Capital da Província pelas tropas dos IIr.’. Vasconcellos Jardim e Onofre Pires, que deverão se deslocar desde a localidade de Pedras Brancas, quando avisados. Tanto o Ir.’. Vasconcellos Jardim como o Ir.’. Onofre Pires, ao serem informados, responderam que estariam a postos, aguardando o momento para agirem. Também se fez ouvir o nobre Ir.’. Vicente da Fontoura, o qual sugeriu que tomássemos o máximo cuidado, pois que, certamente, Braga, o Presidente da Província, seria avisado do nosso movimento. 
O Tronco de Beneficência fez a sua circulação e rendeu a medalha cunhada de 421$000, contados pelo Ir.’. Tes.’. Pedro Boticário. Por proposição do Ir.’. José Mariano Mattos, o Tronco de Beneficência foi destinado à compra de uma Carta da Alforria de um escravo de meia idade,no valor de 350$000, proposta aceita por unanimidade. 
 Foi depois realizada uma poderosa Cadeia de União, pela justiça e grandeza da causa, pois em nome do povo Riograndense, lutaríamos pela Liberdade, Igualdade e Humanidade, pedindo a força e proteção do G.’. A.’. D.’. U.’. para todos os IIr.’. e aos seus companheiros, que iriam participar das contendas. Já eram altas horas da madrugada quando os trabalhos foram encerrados, afirmando o Ven.’. Mestre que todos deveriam confiar nas LL .’. do G.’. A.’. D.’. U.’. e depois, como ninguém mais quisesse fazer uso da palavra, foram encerrados nossos trabalhos, do que eu, Ir.’. Domingos José de Almeida, como Secretário, tracei o presente Balaústre, a fim de que nossa História, através dos tempos, possa registrar que um grupo de maçons, homens “livres e de bons costumes”, empenhou-se com o risco da sua própria vida, para restabelecer o reconhecimento dos direitos desta abençoada terra, berço de grandes homens, localizada no extremo sul de nossa querida Pátria.

 Oriente de Porto Alegre, aos dezoito dias do mês de setembro de 1835 da E.’. V.’., 18º dia do sexto mês, Tirsi, da V.’. L.’. do ano de 5835. 

Ir .’. Domingos José de Almeida 
Secretário 


OBSERVAÇÕES: ( como bom gaúcho...) 
Realmente, como previa aquela ata da Loja “Philantropia e Liberdade”, uma grande Revolução, (conhecida depois como “Farroupilha”), eclodiria 2 dias depois da reunião da Loja , em 20 de Setembro de 1835. O Ven:. Mestre da Loja, Ir:. Bento Gonçalves da Silva, foi o líder inconteste do movimento, de caráter federalista e republicano que durou 10 longos anos, deixando todos os combatentes em “farrapos”. Foi um verdadeiro drama no qual figuras históricas de primeira grandeza foram protagonistas, como por exemplo o Ir.’. italiano Giuseppe Garibaldi e o Ir.’. Duque de Caxias (este do lado do Império). 
No período da Regência os gaúchos estavam divididos, irreconciliáveis, Conservadores (chimangos) de um lado e Liberais (maragatos) de outro lado; estes, com um maior apoio nas camadas populares – daí, também, derivou o nome da Revolução “ Farrapos” - que foi feita, principalmente por motivos econômicos, contra a pesada taxação que caía sobre o charque e o couro do Rio Grande do Sul. 
Bento Gonçalves, Presidente da Província, havia sido chamado à Corte. Denunciado como rebelde e acusado de promover a separação da Província do Rio Grande do resto do Brasil, defendeu-se com brilhantismo e voltou em triunfo ao Rio Grande, mas ainda assim, ele foi destituído pelos Conservadores, o que foi a causa imediata da Revolução. 
A Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos, foi uma das páginas mais fabulosas da História do Brasil, cheia de acontecimentos maçônicos, que merecem ser contados. Terminou após 10 (dez) anos de luta intensa, um verdadeiro fratricídi . E pasmem... ao final, na hora da rendição dos gaúchos, atuou em nome do Império Central do Brasil, o nosso Irmão Duque de Caxias: 2 maçons assinaram a paz Duque de Caxias de um lado e Bento Gonçalves do outro lado. Não foi rendição incondicional!!... algumas condições foram negociadas, por exemplo: na bandeira do Rio Grande do Sul - até hoje!! – está lá escrito : ”República do Piratini – Liberdade, Igualdade e Humanidade – 1835”. 

Ir.’. Artur O. T. Costa
Piracicaba / SP 
SETº / 2003 

 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA: a íntegra deste Balaustre, (Ata), foi publicada na Revista Maçônica “Engenho & Arte” nº 3/99, página 96.