segunda-feira, 23 de maio de 2016

Um texto bem humorado, mas que ensina muito sobre nossos ritos.

Um happy hour entre o Rito Escocês e o Rito de York

O Rito Escocês e o Rito de York estão participando de um Seminário Maçônico no
Brasil. Após o término do primeiro dia do seminário, eles combinam um happy hour em um bar tradicional do Rio de Janeiro, o "Bode Cheiroso":

York – Faaala Escocês! Ué, cadê a sainha quadriculada???

Escocês – Que sainha? Tá me estranhando? Primeiro que o nome correto é “kilt” e segundo que quem usa aquilo lá é escocês. Eu sou é francês e cresci nos EUA!

York – Mas... o seu nome não é “Escocês”??? Eu jurava que você era da Escócia, cara!

Escocês – Todo mundo faz essa confusão!! Eu não sou escocês. Minha família era
escocesa, mas se mudou pra França antes de eu nascer. Nasci na França. E depois fui pros EUA e foi lá que eu cresci.

York – Caramba, eu não sabia! E não tinha um nome melhor pra usar, não? Daria
menos confusão!

Escocês – Pior que tinha! Meu nome original era Heredom. Mas quando fui pros EUA, o pessoal lá parece que não gostava muito do nome. Aí ficaram sabendo da origem da minha família e começaram a me chamar de “Escocês”. E o nome acabou pegando!

York – É... agora que você falou, olhando bem... você não tem mesmo pinta de escocês.

Escocês – Mas acho que você não tá podendo falar muito não, York. Você não é
americano??? E York não é uma cidade da Inglaterra???

York – É porque o meu pai era duma família muito antiga de York. Até por isso
que ele tinha o apelido de Antigo. Quando ele se mudou pros EUA, teve um
romance com a minha mãe, a Maçonaria Americana. Então, quando nasci, eles me deram o nome de York em homenagem à origem da família do meu pai.

Escocês – Tá vendo? É praticamente a mesma situação. Nossos nomes mostram nossas raízes.

York – Sim, verdade.

Escocês – Sabe que eu conheci a sua mãe? Ela me deu muito suporte quando
cheguei nos EUA. Ela é uma grande mulher. Tenho notícia de que, apesar da idade, ela continua ajudando muita gente.

York – Ela é realmente uma grande mulher. Para mim, é a maior de todas! Mas vamos pedir logo algo pra beber porque eu já tô com a garganta seca. Esse Rio é
quente demais! Você vai beber o que?

Escocês – Um uísque. Duplo.

York – Deixa eu adivinhar... Scotch?

Escocês – Claro!

York– Eu imaginava... Vou beber uma cerveja beeem gelada então.

(depois de algumas rodadas...)

York- Engraçado, Escocês. Nós dois crescermos nos EUA e fomos esbarrar logo
aqui, no Brasil???

Escocês – É... os EUA é grande, né? Pra falar a verdade, eu até tinha ouvido falar de você. Mas você é um pouco mais velho, acho que temos diferentes círculos de amizade.

York – Eu também já havia ouvido falar de você. Afinal de contas, somos do mesmo meio. Ambos somos professores. Inclusive tivemos muitos alunos em comum! O Pike mesmo... depois que ele se formou na minha escola ele foi ser seu aluno, não foi?

Escocês – Sim. E um dos meus melhores alunos, por sinal.

York – Então... nossos círculos de amizade não são tão diferentes!

Escocês#– Acho que o seu é um pouco mais restrito. Talvez seja isso.

York – Como assim, mais restrito?

Escocês – Por  exemplo: sua Ordem Templária é restrita apenas a maçons
cristãos!

York – Peraí. Os seus últimos graus também são de inspiração templária, Escocês. Eu apenas creio ser incoerente alguém absorver a filosofia templária sem professar a mesma fé que os templários. Além do mais, é uma disciplina opcional no meu curso. Meus alunos não são obrigados a fazê-la.

Escocês – Mesmo assim, não deixa de ser restritivo...

York – Talvez você esteja certo. Mas todos nós temos nossos defeitos, não é
mesmo? Ou você se esqueceu daquela época de sua tendência sulista e
proximidade com a Ku Klux Klan?

Escocês – Ahhhh, isso é passado! Já tô cansado de me defender disso. Eu
simplesmente não posso responder pra sempre pelos atos de meus antigos alunos.

York – Tá certo. Mas e essa invenção sua de graus por comunicação? Vai botar a
culpa em quem? Dos seus 30 Altos Graus, uns 20 são por comunicação! Se formos olhar apenas os graus por iniciação, temos praticamente a mesma quantidade de graus!

Escocês – O que você queria??? 33 graus é coisa pra cacete! Maçom não é monge não!! Maçom trabalha, te! família... Se eu não facilitasse, ninguém iria querer entrar nem no 4o grau!

York – Ok. Vamos parar de criticar o sistema do outro e bora beber mais!

(após mais duas rodadas...)

Escocês– Ô, York, e aquele seu irmão caçula? O que você me conta dele? Como é mesmo o nome dele? Emulação, né?

York – Ele tá mais para Amolação! Hehehehe. Não temos muita convivência,
porque ele mora na Inglaterra.

Escocês – Mas por que amolação”? Vocês não se dão bem? O cara é chato?

York – Que nada! Eu falo só brincando. Só pra pegar no pé dele! Ele é um cara bom, gente fina. Apenas não temos muita coisa em comum. Ele tem aqueles
costume britânicos, sabe? Enquanto eu e você estamos aqui bebendo, curtindo um sambinha, ele deve estar tomando chá. E ao contrário de nós, ele nunca usaria um chapéu, talvez com receito de despentear o topete! Hehehe.

Escocês– Ah, mas vocês são irmãos. Devem ter algo em comum... genética é um
negócio forte.

York – Se for por essa razão, acho difícil. O Emulação é filho adotivo.

Escocês– Sério? Eu não sabia.

York– Sim. Eu já era nascido e minha mãe, a Maçonaria Americana, resolveu que precisava de um pouco mais de independência. Então ela se separou do meu pai, o Antigo, mas  eles continuaram sendo bons amigos. De volta à Inglaterra, meu pai começou um namorico com uma mulher mais velha, que apesar de ser coroa, era  metida a moderninha. Daí o apelido pelo qual todo mundo conhecia ela, “Moderna”. Um belo dia eles resolveram se casar e desejaram  ter um filho para
selar a união. Como meu pai já era velho e a coroa moderninha também, eles
resolveram criar uma criança na qual viam alguns traços dos dois. Essa criança é o meu meio irmão, Emulação.

Escocês – Eu nunca iria imaginar... E tem gente que até confunde vocês dois! Já vi até gente chamando ele de York, acredita?

York – É porque não nos conhece pessoalmente ainda. Quem conhece vê as diferenças rapidinho. Mas o fato de sermos tão diferentes não impede nossa amizade, que nos une como verdadeiros irmãos.

Escocês – E ele também é professor, né?

York – Sim. Mas ele optou por lecionar apenas em alfabetização e Ensino Fundamental. Não leciona no Ensino Superior, como nós dois.

Escocês – Bacana. De qualquer forma, ele compartilha da mesma vocação: ensinar.

York – Verdade. E confesso que, apesar de novo, ele faz um ótimo trabalho. E você, Escocês? Como está a família?

Escocês – Cara... a minha família é uma bagunça! Quando eu ainda morava na
França, lembro-me que a família era tão grande que eu não sabia o nome nem da metade dos parentes! Muitos já morreram, outros tiveram filhos, netos... e por aí vai.

York – Família grande parece sempre complicada, né?

Escocês – Demais! Mas deve ser legal conviver com  tanta gente diferente. Olha
nos EUA, por exemplo... sua mãe, a Sra. Maçonaria Americana, teve só você, filho único. O maçom americano só tem duas escolas pra estudar: a sua e a minha.

York – Nisso você tem razão. Nesse seminário que participamos hoje pude perceber isso claramente. Você viu quantas escolas diferentes os brasileiros têm?

Os caras tem acesso a 7 escolas! A sua, a minha, a do meu irmão caçula, a daquele alemão que tava sentado do nosso lado, a de dois parentes franceses seu, e a daquele brasileiro que é seu fã!

Escocês – E sabe o que eu achei mais engraçado, York? Você é provavelmente o mais velho de nós e os estudantes brasileiros estavam todos achando que você é o mais novo! Hahahahaha.

York – Hehehehehe. Verdade. Mas deve ser porque vocês tem filiais de suas escolas no Brasil  faz muitos anos, enquanto que faz pouco tempo que eu abri a minha aqui. Além disso, estou muito mais bem conservado que vocês. Vocês vivem fazendo essas plásticas, mudando uma coisa aqui, outra ali. Às vezes mal dá pra reconhecer vocês!

Escocês – Mas você acha mesmo que mudei demais?

York – Pô! Eu sei que dizem que os cirurgiões brasileiros são bons, mas exageraram um pouco... Dá pra ver no seu rosto um monte de marca de enxerto, remendo. Acho até que copiaram o nariz do meu irmão em você!

Escocês – Pior é que você não é o primeiro a me dizer isso... Ah, bora mudar de assunto! Vamo beber mais uma antes de voltarmos pro hotel???

York – Bora! Garçom, traz as saideiras!!!


FIM

domingo, 22 de maio de 2016

Poema

Poema do Ir.'. Décio Mallmith, publicado na ZH deste final de semana (Zero Hora nº 18470, Ano 53, 21 e 22/05/2016, pág. 54)

sexta-feira, 20 de maio de 2016